sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Por que Istambul tem um pouco de Brasil? Parte 2


Parte 2 pras meninas que não se contentaram com um post sobre futebol. =)

As novelas brasileiras foram SU-CES-SO na televisão turca no passado, há uns 20 anos atrás.

A primeira vez que o assunto veio à tona eu vi um grupo de 6 colegas do trabalho unidas numa força-tarefa pra buscar na memória o nome dos personagens. Por 5 minutos, aleatoriamente: “Maria Eduarda... Francisco... Jô- José Roberto!... Giovana...” Empolgadíssimas, aguardando um aceno positivo da minha cabeça ou um sorriso de confirmação. #foiseco! É lógico que elas não falaram esses nomes, mas valá... eu entendo tanto de novela quanto de fute.bola.

Em outra oportunidade, descobri que a única novela que as pessoas lembram for real é “A Escrava Isaura” que também fez muito sucesso na China. Na China meu, bota fé? Curiosidades sobre as novelas brasileiras no mundo aqui e aqui, pra quem se interessa.

Segundo o gerente geral lá da empresa (em conversa numa das nossas reuniões super produtivas) os turcos se aproveitaram da nossa expertise pra fazer as “novelas” deles que hoje são exportadas pra outros países da região, aqui perto nas Arábias e não sei mais onde. Vai lá no Google Maps pra ver como se delimita a região das Arábias por favor. #haha

As novelas daqui são, na verdade, séries... ou seriados. #coméqsediz?
Elas passam uma vez por semana e tem duração de maomeno uma hora e meia. Podem ser parecidas com as nossas novelas - enredos cheios de bafões, tapa na cara, romances proibidos, traição, poder, pobres ricos, falas pobres; ou, imitações de séries americanas. Que que é melhor? Digalá!

Como eu duvidava que o país era potencial neste ramo de negócios, fui dar um check. O site de um canal de TV noveleiro - Kanal D - tem versões em inglês e árabe. #brinca!

E quem sou eu para fazer críticas de “novelas” turcas? Pelos trailers tem algumas delas que eu assistiria amarradona. EFAHuAHEFliuhAELFIuh #confessavai! Duas escolhas aleatórias aqui, pra vcs conhecerem: Öyle Bir Geçer Zaman Ki (Time goes by) e Fatmagül’Ün Suçu Ne? (não sei o que significa).

Mas o que me motivou a escrever o post foi a série histórica Muhteşem Yüzyıl (Magnificent Century) que é baseada na vida de Süleyman I (sultão do Império Otomano que teve o mais longo reinado) e da escrava que se tornou sua esposa. Eu assisti pra pegar um pouco da história e entender da vida dos sultões. É legal viu? Tenho o o primeiro episódio com legendas em inglês aqui. Já vou logo avisando que não existe um segundo episódio com legendas. Posso até contar o que aconteceu depois, por cemmilréis.

Curiosidade: Na verdade os turcos pensam que as novelas mexicanas tipo Maria do Bairro, Maria Mercedes são brasileiras. AUFEHliuHAEFLIUAEF eu não tinha me ligado, foi o Fernando que me contou.

Apesar de eu ter dividido este post em Parte 1 e 2, acho que tem mais de Brasil aqui em Istambul (e eu não tô falando dos enfeites #hipócritas de Natal). Por enquanto fica assim porque tenho receio de criar pré-conceitos.

Tá chegando o Natal gente!

Feliz só se for pra VO-CÊ!

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Por que Istambul tem um pouco de Brasil? Parte 1

Ó fiz parte 1 de 2. Separado.

Vou falar de futebol (1) e de novela (2). Se você não gosta de futebol você volta pra parte 2. Se você não gosta de novela... volta mesmo assim, eu também não gosto. 

Logo que eu vim pra cá eu parei numa lojinha e me surpreendi depois de perguntar o que o cara sabia do futebol brasileiro: “Alex de Souza, Roberto Carlos, Ronaldinho, Neymar” =) Até aí tudo bem né? Mas ele continuou: “Flamengo, Santos, Cruzeiro, Coritiba, Palmeiras, Paraná, Sao Paulo, Vasco, Botafogo, Figueirense…” Figueireeeeeeeeense meu! Eu juro que ele falou.

Turcos que acompanham o Campeonato Brasileiro não são maioria. Mas eles realmente são fanáticos por futebol. A Turquia tem três times grandes. Dois mais conhecidos que compõem o cláááááááássico: o Fenerbahçe e o Galatasaray; e com uma torcida grande tem o Besiktas (esses Ss com cedilha). Me falaram também do Trabzonspor (que tá em 9º no campeonato, vamos desconsiderar). 

O Brasileirão da Turquia (Super Ligi) trava uma disputa entre 18 times. A liga que começou em setembro e acaba em abr-il tá assim ó pra quem quer saber. Eu não fazia ideia que aqui tinha tanto time. Mas também não sabia que o país foi bronze na Copa de 2002. Todo mundo sabia?

O que interessa mesmo e merece atenção é que tem 23 #vinteetrês jogadores brasileiros no campeonato (5% do total). Tem Felipe Melo no Galatsaray; Fábio Bilica, Alex e Cristian no Fenerbahçe; Sidnei e Edu no Besiktas; Alanzinho e Paulo Henrique no time que eu desconsiderei ali em cima. E os outros estão por aí chutando bola.

Quando o Zico treinou o Fenerbahçe (2006-2008) ganhou um campeonato turco e levou o time às quartas de finais da copa UEFA. Lóóórrico que tinha mais jogador brasileiro no elenco do que turco (Alex, Edu Dracena, Fábio Luciano, Deivid e dispois Roberto Carlos). Aaaaia! O Parreira treinou o mesmo time em 1995-1996 e também ganhou um título.

Também já jogaram por aqui: o goleiro Jefferson (no time desconsiderado erroneamente Trabzonspor e no Konyaspor), Lincoln, Elano, Didi, Taf(f)arel (ai-que-sdd-da-copa-do-tafarel), Washington (o Óxito sabe?), César Prates (o primo da Cintia), Marco Aurélio e uns outros bruxos.

Das similitudes: a galera acompanha futebol mesmo, de ir torcer no estádio. O mercado do futebol também é milionário aqui. Advertisement e futebol, que mistura! Rola comprar resultado também. Que que tem?

Dos contré: Me disseram que não tem bebidas alcoólicas à venda nos estádios. #éverdade?

De curioso: Em setembro, duas partidas do Fenerbahçe foram abertas APENAS para mulheres e crianças. Dá um check aqui.

De explicação: Provavelmente eu esqueci alguém famoso ou algum fato importantíssimo. Ou a minha divisão lá no começo dos times não foi muito fiel haha (foram meus colegas do trampo que me ajudaram). Se esta fonte dos links pra informações do campeonato que eu usei não é confiável eu menti o tempo todo. Se faltou entusiasmo é porque eu não sei nada de futebol. Cadê a Dani? Meu time aqui na Turquia ainda é o Flamengo.

Trouxe aqui os melhores momentos do último clássico em que o Galatasaray alcançou o Fenerbahçe no topo da classificação. Bom mesmo é ouvir a narração do jogo:






E recadinho por último. Tem gente que não conseguiu postar no blog e eu não sei porque é que rola os bugs. Quem quiser e-mail-me no mayarablasi@gmail.com

Tô bem sim. Smack!

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Momento WTF!


Ó todo mundo sabe que quando se viaja pra outro país rola aqueles momentos WTF! Q-q-eu-tô-fazendo-aqui?! É normal. E eu vim falar um pouco disso. É lógico que eu também passei(o) por esses momentos. Eles geralmente estão ligados a saudades, incertezas com relação ao futuro, ou até mesmo insegurança sem fundamento. Vou dizer o porquê, depois de refletir muito, esses momentos parecem mais #xiliquedepatricinha do que outra coisa. hahAFEHUAEFlahaAEFUhuıHAF E eu não sou patricinha. #precisafalar?

Se você ficar pensando a respeito das causas que te levam aos momentos WTF você nunca vai se livrar deles. Tem que dar a vooooooolta pra ver tudo lá pelo outro lado (daqui de cima) e recuperar as motivações que te levaram a sair do Brasil. Vim pra cá realizar um sonho que eu tinha de morar fora, viver em uma cultura diferente, crescer pessoalmente e profissionalmente. É motivo pra %$*&@) !

Precisa mais? E afora a motivação maior que faz o post parecer um texto de auto-ajuda, a vida aqui está repleta de pequenas motivações diárias (não necessariamente nesta mesma ordem). #sentesó

- Quando estou no trabalho parece que estou em Istambul a 1 ano.
- Tudo aqui é mais barato o que te faz acreditar ser Ryca.
- Obrigada Betiay.
- Posso usar todos os meios de transporte (metro, tramway, busao, ferry, camelo) com o mesmo cartão. Não tem camelo.
- Eu ainda acho divertido ir ao mercado. E insisto em “ler” as embalagens.
- Posso comer coisas saudáveis e coisas gordas. E é tudo perto, então posso exagerar num dia (ahnaopode!) e no outro balancear. Mas a proporção não é de um dia pra cada.
- Eu posso voltar a visitar todos aqueles lugares #paia que já fui. A hora que eu quiser. A imensa maioria não paga pra entrar.
- Sempre que eu entro num restaurante ou numa loja eu sou turca. Pelo menos durante os 30 primeiros segundos que é o tempo que dura meu repertório de frases turcas.
- Tenho certeza que o Garfield mora aqui. =) E eu ainda vou encontrá-lo entre os 30 gatos gordos que vejo em cada rua.
- Dá pra lembrar de Mgá (pelas árvores e pelas pombas) e de Floripa (mar!).
- No mesmo dia eu consegui encontrar meu queijo preferido em promoção, esmalte por 1TL (é o preço normal) e uma agenda do Matisse por 9TL.
- Não importa quão cinza o céu esteja (o que é meio triste) tem sempre umas gaivotas pra manchar ele de branco.
- Se eu quero ficar comigo posso ir às mesquitas e ficar horas lá. Ninguém vai me incomodar.
- Meu inglês tá melhor. E vai ficar melhor.
- Ganhei dois pacotes de chá orgânico da Seyda.
- Vejo muitos carros importados na rua.
- Me entendo muito bem com um grande contingente da população que não fala inglês nem turco direito: as crianças.
- Eu às vezes fico dizendo bobagens em português e ninguém me entende. Adoro xingar sorrindo. (lembro de vc Cris)
- Meu colega de trabalho veio me avisar ontem que o Sócrates morreu. E que o Corinthians ganhou. #ahvah! Lógico que ele repetiu comigo: “Curintia é time de favela.” Sem saber o que é. E riu. UAHFElıhuAEFlıhuAEF
- Eu falei pra Nil (amiga do trampo) algumas coisas sobre a Bezm-î-Âlem (vcs lembram?) que ela não sabia. E ela contou pra outros colegas que tb nao sabiam.
- Eu ainda não conheço nem 40% de Istambul.
- Semana que vem eu vou pra Ásia
- Aqui tem chocolate com pistache, chá de ıhlamur, pimenta, ayran e sabonete de lavanda.

E tem mais que não lembro. Mas não vou guardar o post pra depois. É vômito. 
Por último algumas descobertas:

- Vir pra fora é fácil o difícil é vir pra dentro.
- As saudades não diminuem com o tempo.
- Um email não substitui uma ligação. E ligar pro Brasil não é caro.
- Pode chorar de vez em quando. Mas rir e chorar ao mesmo tempo é melhor. Obrigada.
- Sempre tem uma playlist pra momentos WTF. É tiro e queda. Música resolve tudo.
- Família te amo mais a cada dia.
- Tem umas coisas que a gente sente que não dá pra guardar na gaveta pra pegar 3 meses depois. Vai que sei lá.
- A gente é muito mais capaz do que a gente pensa que é.
- Impossível nããããããão!

Se vc não entendeu alguma coisa do que eu escrevi não era pra você. ;D

Ô Má você escreve demais, não? #numquélênumlê

Fa-lô Va-leu!

domingo, 4 de dezembro de 2011

Depois de um mês



Dizer que estou aqui a uma semana, um mês ou um ano, saindo da linha do tempo assim, não dá. Depen-do-pôndivista. Mas continuo encantada com a cidade. O trabalho tá fluindo. Talvez eu mude de casa esta semana. Tô feliz. Não tenho saudades de feijão. Saudade de gente dói. 
Resumiu? AUEFHliuHAEFLIuAEF

Fiz até um vídeo pra falar um pouquinho e escrever menos talvez. #ta-aê-ó.



E sobre a iniciativa, devo ressaltar que, nunca tinha feito isso antes e nem editei o vídeo. Tá pooooooooooouco amador! #caddieC
UAFHEliuHAEFLAEUFHiluhaEFEF

Antecipando alguns esclarecimentos:

1. Não, eu não tenho Mal de Parkinson. Talvez eu melhore no próximo vídeo. (se tiver outro).

2. Eu tô aparecendo (ou não aparecendo nas fotos e no vídeo) sozinha porque eu gosto das manhãs de maneira especial. As pessoas dormem. E às vezes elas não gostam de museus que nem eu. E a paisagem não impressiona os citadinos. #tudomeu!

2. Está anoitecendo por volta das 17h então prefiro sair cedo pra #carpediem porque eu só tenho os fins de semana pra isso.

3. Tô pensando em inglês muitas vezes, até em sonho. ;* Olha que bizarrê eu falando que o nome do Museu era “catorze cinqüenta e três”. #fourteenfiftythree

4. Aquelas ruínas são as antigas muralhas de Constantinopla. 21 km!


Quanto ao museu, vale um plá. Ele é pequeno mas tem uma cúpula com uma pintura extremamente detalhista feita em 360 graus (literalmente, inclusive o teto, digo, o céu). Terceira dimensão, modernidaaaaade gente! E os recursos de multimídia integram um quadro vivo da batalha da tomada de Constantinopla em 1453. Depois eu volto pra aula de história. Foteeenhas:

Panorama 1453

Viu como é? Os visitantes ficam ali no meio.
  
Aí: o cenário pertinho é verdade. Longe é pintura.

A foto parece nada perto da pintura. Details.



Depois do rolé no parque sentei no banco ali de frente pra muralha e devorei um livro que comprei aqui. Meu agradecimento especial à Gabriel Garcia Marquez, que não seja pecado lê-lo em inglês. haha

Obrigada também as personas brasileiras que estão sempre perto mesmo longe.

Tô pensando muito. maismuito. It's never been like that.

domingo, 27 de novembro de 2011

As mulheres sempre comandaram!



Eu sei que eu ainda nem falei dos sultãos, mas acabo de descobrir que as mulheres representaram um papel muito importante na história política da região. #sacasó.

O título de Valide Sultan¹, concedido às mães dos sultãos, representava uma posição tão importante quanto à do próprio sultão no Império. Elas eram consultadas pelos seus filhos e pelos ministros para resolver as questões de Estado.

Exerceram, portanto, forte influência política em particular durante o século XVII num período conhecido como o Sultanato das Mulheres. #comanda. Além de questões políticas elas também eram patronas da arte e da arquitetura. Tinham popularidade e eram respeitadas.

E eu só ia escrever pra postar fotos de uma caminhada aleatória de sábado, mas fiquei sabendo de tudo isso aí pelo nome de uma mesquita que conheci no bairro, construída em 1843.

Bezm-i Âlem Valide Sultan Camii

Bezm-i Âlem Valide Sultan Camii

O nome da mesquita é Bezm-i Âlem Valide Sultan Camii.
Tá todo mundo manjando já né? Bezm-i Âlem é o nome da fulana pop. Valide Sultan o nome do seu título. Camii é mesquita em turco.  

Bezm-I Âlem foi a segunda esposa do Sultão Mahmut II e a mãe do Sultão Abdülmecid I. Foi Valide Sultan de 1839 a 1853. Dentre algumas notáveis construções que ela encomendou estão alguns pontos turísticos de Istambul, como a Dolmabahçe Mosque², no Palácio de mesmo nome (semana que vem vou lá e trago fotos). Hoje em dia, tem hospital, escola, universidade e mesquita que levam seu nome. Bezm-i Âlem #néfracanão.


Esta mesquita me chamou atenção por ser mais simples. E linda a sua maneira. Pequena de uma minarete só. =) Tem outras mesquitas que se assemelham a ela por aí, mas geralmente eu não visito o interior delas. Todas que eu vi, sem exceção, estão bem preservadas ou sendo recuperadas.

Curtiu?

Ontem fui numa festa do pessoal da AIESEC, com membros e intercambistas de diferentes lugares do mundo #babel. Era uma night em Taksim, com música americana e turca misturada e cerveja Efes a TL10. Hollywood nada! AEUFhliUHAEFuUAHf Mas tava bom anyway. É muito bom poder conversar com um monte de gente diferente tudo junto. #bololodemundo!

E aproveito o post pra falar do Turco (não este daí de frente de casa em Mgá, outro). Ele morou no Brasil por um ano e entrou na Aiesec Istambul a pouco. Ontem ele queria saber como é que eu ainda não tinha falado dele no meu blog. HFEliuhAEFILuhAFE Pronto Turco! Realmente é confortável saber que tem um turco que fala (e fala bem) português por aqui. Ele adorou o Brasil, em poucas palavras: Exaltasamba, Fundo de Quintal, mulheres. Que mais mesmo? Bom saber que você está lendo o blog. Assim você me corrige se eu escrever alguma bobagem, lüften.

Vou tentar escrever com mais freqüência, sim? Se vocês tiverem alguma curiosidade pópergunta!

¹ Valide Sultan não tem tradução pro português, mas valide é mãe em turco.
² Mosque = Camii = Mesquita

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Rotinô!


Falar de Istambul é difícil! Tem muito assunto aqui... vou intercalando com chá. #çay!

A pouco estava separando umas fotos pra falar de comidas e deu só umas 30. #ahvah! Cansei a pança só de olhar. E como to meio indigesta vou aproveitar pra falar um pouquinho da rotina aqui. Já parei de brincar de turista... durante a semana pelo menos. =)

A rotina me deixa mais perto da cultura do povo #likeit. Dá pra investigar mais, pra ver se as impressões se confirmam. Apesar disso, ainda é meio surreal acordar e me dar conta que moro aqui. Ooooow, tô morando em Istambul!

O trampo vai das 9 às 18h, com uma hora #deliciosa de almoço. No espaço que eu trabalho somos em 8 funcionários, dos departamentos de marketing e vendas. No início eu achava que eles não trabalhavam de tanto que eles falam e dão risada, mas eles pegam pesado. Fotos do trabalho!


Eu, Mocinhadochá, Nil, Angel e Özlem

Office

Somente as duas pessoas que trabalham diretamente comigo (a Nil e a Betiay #chefinha) falam inglês. Ou seja, eu já desisti de parar pra tentar entender alguma coisa do conversê e não rola um closed caption tb. E vocês podem até achar que eu sou meio preguiçosa com relação à língua, mas na verdade... pelo fato do turco nao ter relação com o latim (se é que é assim que se diz, cadê a Mari?) desanima porque não dá pra relacionar as palavras como fazemos com o italiano, o francês ou o espanhol. Os turcos já me alertaram que eu não aprenderia a língua em 3 meses anyway. Entao vou aprendendo as frases e palavras que preciso para me virar e pra ser educada. Talvez precise aprender a dar informações também. AUEFHlUIAHEFliuhaEFiuhAEF

Como meu trabalho é pesquisar, cansa. Às vezes eu tenho que parar pra dar um refresh! Mas tá tudo nos conformes #timelinemeamedrontando. O povo lá acha que eu trabalho demais #vaivendo! Hoje a chefe me disse “If you feel tired, just give yourself a break. Stop and take a look at the options for the weekend.” =D Tô mal né? Então as pausas acontecem assim... tomando um chá, um café, e parando pra ouvir as pessoas #entendetu-do. Mesmo nao sabendo inglês as pessoas querem conversar. Valeu GoogleTranslator!

Tenho ido almoçar num restaurante beeeem caseiro. É um lugar meio velho com poucas mesas, estreitinho e limpo. AUHFEluıhAEF (juro que vou tentar tirar uma foto). Tem dois udos lá, um que cozinha outro que serve, mas estes são simpáticos. Bastante gente do trabalho vai lá, logo, é uma zona! As pessoas conversam de uma mesa pra outra, se querem pedir alguma coisa pro “garçom” elas gritam de onde estão. É muito italiano! No primeiro dia que fui lá as meninas pediram uma sobremesa – era uma pasta de semolina com castanha/ sementes e açúcar - e veio num prato (tipo brigadeiro de panela) pra todo mundo comer junto. =) E pelo rango o valor vareeeia, depende da comida. Gasto entre 7TL e 14TL, tudo no vale.

Tem muitos lugares parecidos na cidade, as comidas ficam expostas assim num buffet mas você pede o que quer (o que é mais difícil para gringos porque não dá pra apontar no cardápio). Na mesa já tem pão e pimentas (do reino e uma outra vermelhinha muito comum aqui #dasboas). Ah... tem também sempre uns lencinhos umedecidos embalados assim, em saches, que as pessoas usam pra limpar as mãos e a boca antes ou depois da refeição. Não teria nada de estranho se nao tivesse um perfume #blécati que se mistura com o cheiro da comida.

Quanto à comida, tem sempre sopa de mais que um tipo. De lentiha, de galinha, de carneiro e, de anormal, só a de yogurte por enquanto, que é incrivelmente gostosa. Eles servem sempre limão junto (aquele da casca amarela). Além da sopa (çorba) tem sempre opções com vegetais com carne - beringela, abobrinha, espinafre – tem batata, peixe, frango e, claro, carneiro. Muita coisa em molho também. Tomate, cebola, pimentão. Yogurte de novo... pra por na comida. Na real não fugiria muito das comidas que temos no Brasil (exceto pela ausência da carne de porco), mas o tempero e o preparo são diferentes. E é um diferente bem bom. Menos sal mais pimenta, não sei. Não provei nada que eu não tenha gostado ainda. #gordanada Tenho umas fotos dessas vitrinas de comida, só pra ter uma ideia: (adoro escrever IDEIA sem acento)




Este tipo de refeição (todos estes pratos aí) é apenas uma das opções da culinária local. Dps trago mais.

Tô tomando chá #denovo. Eles servem 4 vezes ao dia, mas a hora que eu quiser eu posso passar lá na cozinha e pedir umzin: “Çay istiyorum. =)” Vcs entenderam? Tem o sorriso depois porque não sei como é “por favor” FEUAHuhAEFLIuhAEFIl. Hoje provei um oooutro chá, çünköle¹, que é muito melhor que o tradicional e tem um cheiro maravilhoso.

E no mais, já sinto saudades. Da família e dos amigos e... sin-to!

Volto logo. ;D

Kendine iyi bak!

 ¹ É lóóórrico que acabei de inventar este nome pro chá. Não tô lembrando do verdadeiro! UAHEFliuhAEFUIhALIEUhflIUAHEF Passou por nome de chá turco ou nem? Até eu acreditei.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Um pouquinho da religião


É impossível tentar entender um pouco da cultura de Istambul sem estudar um pouquinho da religião, que aqui é um estilo de vida. O islamismo se baseia nos ensinamentos contidos no livro sagrado islâmico, o Alcorão, e acreditam que Alá decretou tudo que vai acontecer. É a predestinação #inshallah!

Istambul tem em média 3000 (3 MIL!) mesquitas, lugares para culto da fé dos muçulmanos. Só no caminho da minha casa ao trabalho, que deve ser uns... 1,5km, eu vejo 3 delas. Para efeitos de comparação, igrejas são apenas 40.

A oração (salah) é considerada a base fundamental da religião e um dos cinco pilares do islamismo. Os muçulmanos deveriam rezar cinco vezes ao dia, obrigatoriamente.  Às sextas-feiras eles (só os homens agora) devem ir até uma mesquita para uma oração especial. Cinco vezes, portanto, é o numero de vezes que eu ouço o Chamado para Oração (Adhan) feito aos muçulmanos pelo muezim (nome do encarregado) a partir da minarete (nénão Dé´´e´´ete?). Minaretes são as torres da mesquita, geralmente mais altas que o resto da mesquita e que as casas que a rodeiam para fazer chegar a voz do chamado.
The Blue Mosque e suas minaretes

Se alguém tiver curiosidade, tem o chamado no YouTube. Ele é proferido em árabe e as frases são de adoração e chamado para oração #óbvio. De todas as pessoas que conheci aqui, ninguém pára para rezar 5 vezes ao dia e também não freqüentam mesquitas. Mesmo assim, ouvir o chamado os relembra que eles precisam agradecer a Deus #alá.

Os muçulmanos podem realizar as orações nas mesquitas ou em suas casas, contanto que o local, suas roupas e eles mesmos estejam limpos. Para eles, a limpeza é metade da fé e por isso a ablução é obrigatória. Trata-se de um ritual de purificação que consiste em lavar partes do corpo com água antes das orações. O Alcorão também só pode ser tocado se o fiel tiver seguido o mesmo ritual. Quando estávamos visitando as lojas dos museus a Şeyda ficava INDIGNADA com as pessoas tocando nos exemplares disponíveis para venda.

(Se alguém ainda não sabe, a Seyda é a pessoa da AIESEC daqui que cuidou da minha recepção, garantindo que eu tivesse as primeiras orientações na city. Na verdade ela já é mais amiga que recep :)

Na ablução eles lavam as mãos, a boca, o nariz, os braços, a face, o cabelo (da testa até a nuca), as orelhas (de um jeito específico, dedos selecionados) e os pés. Três vezes cada nesta ordem, com exceção do cabelo que é lavado uma única vez. E é lavar mesmo… então quando se lava a boca se faz um bochecho, para lavar o nariz se aspira a água pelas narinas. De verdade. E do lado de fora das mesquitas tem lugares específicos para fazer esta limpeza.
Exemplo de local para ablução, parte externa da mesquita

Os muçulmanos se voltam à Caaba, o lugar mais sagrado do Islã, para fazer suas preces diárias. Ela foi construída por Abraão e seu filho, por ordem de Deus, para ser um altar de adoração monoteísta. Localiza-se em em Meca, na Arábia Saudita, destino de legiões de muçulmanos que realizam a peregrinação ou Hajj.
A Caaba (altar escuro)

Quanto às roupas... eu tinha bastante curiosidade sobre este assunto. Aqui vejo poucas mulheres de burca (20%), várias com lenços (40%) e outra boa parte com a cabeça descoberta (40%). E isso é bem um chute e pode ser minha impressão do bairro/ distrito que eu moro que tem bastantes mesquitas. O Ivan pode me ajudar acho... o que você acha? Como era em Bursa? Basicamente, depois do Atatürk, as mulheres não são obrigadas a cobrir a cabeça. #freedom.

Para entrar nas mesquitas, devemos tirar os calçados e estar com os braços cobertos (não necessariamente cobertos, mas escondendo os ombros). Quanto a cobrir a cabeça já ouvi que é obrigatório e que não é. Eu o faço, porque entro em mesquitas aqui que não são turísticas, então, respeito. Não podemos entrar na mesquita durante os momentos de oração.

Interessante né? Sobre a filosofia por trás da religião não posso falar muito ainda. Vou perguntando para as pessoas que estou conhecendo e volto pra contar. Só posso garantir uma coisa... a religião faz muito bem às pessoas daqui. Tá enraizado sabe? Acho que o fato de todo mundo pensar da mesma maneira - apesar das interpretações radicais do Alcorão - assegura uma #unidade pra cidade. Sei lá... é uma energia muito louca. Magia!

Tá frio raça! Mui-to. #vaipôblusa